…Que os meus dias mudaram definitivamente.
Era sexta-feira dia 9 de julho, e a partir daquele dia que começamos a nos ver frequentemente.
Estarei mentindo se eu disser que lembro com exatidão de tudo que fizemos, pois naquele dia nós fizemos muitas coisas!
Mais uma vez você havia me convencido a sair de casa. Havíamos marcado de nos encontrar no Parque Ibirapuera por volta das 3:30 da tarde. Mas havia um porém… Eu não sabia muito bem chegar no parque, e você disse para nos encontrarmos no portão principal, mas wtf, eu cheguei lá e descobri que haviam 10 PORTÕES, e NENHUM ERA O PINCIPAL. E para ajudar, o número de celular que você havia me passado estava incorreto. Como eu iria encontra-lo? Mas você, danado, tinha meu número de celular e me ligou (a cobrar). Aí nos encontramos! (:
Lembro de ter me sentindo muito desleixada quando te vi. Eu havia emagrecido consideravelmente nos meses anteriores, e isso havia deixado minha calça jeans larga. Eu fui com uma blusa cinza qualquer, e outra preta que eu usava para ir a escola. E você, sempre muito bem vestido.
Nós demos uma volta no parque, acho que depois fomos à Paulista, e lá fizemos muitas coisas. Não lembro a ordem certa, mas ficamos embaixo do MASP, fomos ao Trianon (mas estava fechado), Mc Donnalds (Mc Café na verdade)… Mas foi lá no Mc Café que aconteceu algo que, ao menos pra mim teve grande significado. Você abriu um pacote de adoçante, despejou metade no meu braço e a outra metade na mesa, e então eu desenhei um coração com o adoçante que você despejou na mesa. Foi uma atitude inconsciente e inocente, mas quando eu me dei conta do que eu havia desenhado eu me senti envergonhada. Por que eu havia feito aquilo? Não é do meu feitio desenhar coração pra ninguém, até mesmo para outras pessoas que eu havia gostado. Então por que?
O dia continuou. Fizemos bastante coisas, nos divertimos bastante. A essa altura já era noite, e eu precisava ir, mas você me convencia a ficar um pouquinho mais.
Depois fomos ao Shopping Eldorado, e bem, dificil lembrar o que se faz num shopping. Mas as horas iam passando, e eu já não sabia que tinha que embora, eu apenas temia a hora em que esse momento fosse inevitável, pois eu não queria.
Em algum ponto da noite, já era tarde, nós fomos para o estacionamento do shoping, e sentamos em uns bancos de madeira de lá. Ficamos conversando, brincando, e de lá dava para ver o prédio do Unibanco e seu grande relógio. Sou supersticiosa, e sempre que as horas e os minutos se repetem, eu faço um pedido. Naquela noite eu olhei para o relógio e estava marcando 21:21, e eu comecei a fazer um pedido mentalmente, mas os minutos mudaram antes que eu o completasse. Eu exclamei algo de insatisfação, e você perguntou o que era, e eu disse que não era nada, eu esqueci que você não era supesticioso, e você disse que poderia ser. O meu pedido era para que aquela noite não acabasse, eu claramente não queria ir embora. Enquanto eu olhava o céu, me veio a cabeça uma música que eu havia escutado dias antes, e dava uma sensação de paz…
Depois minha mãe ligou e claro, eu precisava ir. Você me acompanhou até a estação. Eu não queria ir embora (já disse muito isso, certo?), mas isso se intensificou na hora de nos despedirmos. Quando chegamos a frente da estação, eu não sabia o que fazer. Normalmente é só dar um beijo de tia, dizer palavras tolas e ir, mas não! Você me olhava de um jeito estranho, um jeito que dói. Parecia que você também não queria que eu fosse, ou eu fiz uma cara muito estranha para provocar aquela reação. Quando aquela situação ficou insustentável, eu disse um simples ‘tchau’ e virei as costas. Você murmurou algo, e eu voltei e te dei um abraço. Você ficou estático, sem reação, mas foi tão bom… Só assim eu pude ir embora.
A caminho de casa, no trem, eu não sabia o que eu estava sentindo. Era uma sensação tão nova que ainda não encontrei nome pr’aquilo. Era um misto de felicidade, satisfação, saudade e liberdade. Depois que eu cheguei em casa eu fiquei pensando naquele dia durante a noite, durante o resto do final de semana. Era tudo tão novo… era como se naquele dia eu tivesse deixado de ser o que era, ao mesmo tempo que nunca fui tão eu como naquelas horinhas.
Eu nunca havia saído sozinha para um lugar onde eu nem sabia chegar, eu nunca havia saído a noite, nunca havia sido tão espontanea mesmo que sendo travada ao mesmo tempo, e principalmente, fazia muito tempo ou mesmo nunca que eu havia me sentido tão bem…